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Cannabis, cocaína e fentanil: por que a suprema esquerda e a extrema direita não disfarçam mais o desinteresse pelo combate às drogas

  • Foto do escritor: Pedro Papastawridis
    Pedro Papastawridis
  • 22 de dez. de 2025
  • 4 min de leitura

Lembro-me de uma época não muito distante em que as campanhas de prevenção e combate às drogas eram frequentes no rádio, na TV e nas escolas. Era a época em que o Plano Real saía do forno para combater a hiperinflação, a Seleção Canarinho conquistava o tetracampeonato mundial e "dar uma de MacGyver" era a diversão de crianças e adolescentes. Para os leitores do final da Geração Y e a turma da Geração Z, refiro-me aos anos 1990.


Nos dias atuais, pouco se fala em prevenção do consumo de drogas. E quanto ao combate às cadeias de valor dos principais entorpecentes que inundam as ruas do Brasil com o fedor das drogas e a escalada de crimes relacionados com o vício nelas, basta passar pelas ruas e praças da Lapa e Glória (ambas no Rio de Janeiro/RJ), que logo vão se deparar com algum Zé Droguinha consumindo um entorpecente, enquanto algum guarda está dentro de uma viatura falando ou escrevendo ao celular como se nada estivesse acontecendo ao redor. E quando o Poder Público decide trabalhar um pouco no combate às drogas, assemelha-se a uma campanha publicitária: grava uma operação policial aqui, tira uma foto de apreensão de droga ali e posta nas redes sociais alguns dos "rolês" de viaturas durante esses eventos, enquanto os barões do tráfico permanecem à solta por aí, enchendo as comunidades de diversas regiões do país com cada vez mais armas, drogas e opressão dos que ali vivem.


A solução para esse problema que aproxima o Brasil do status de narcoestado de Colômbia, Venezuela e México envolve criminalizar, investigar, punir e manter na cadeia todos os players das cadeias de valor dos entorpecentes, do produtor dos insumos até o Zé Droguinha (que é o público-alvo dessas cadeias). Paralelamente a isso, deve-se impulsionar a consciência cidadã no sentido de prevenir e repelir o consumo das drogas do seio da sociedade. Mas parece que a suprema esquerda e a extrema-direita brasileiras não possuem interesse algum em combater o atual estado de coisas que converge nosso país para uma situação de ruptura social advinda de um narcoestado em formação.


No caso da suprema esquerda, fruto do consórcio de poder entre STF e a esquerda lulopetista, existem questões de alinhamento ideológico que repelem quaisquer interesses dessa turma em combater as cadeias de valor de entorpecentes em nosso país. Afinal de contas, combater o tráfico de maconha e cocaína significaria entrar em rota de colisão com os "companheiros" Gustavo Petro (Colômbia) e Nicolás Maduro (Venezuela), além dos "camponeses" de Evo Morales (Bolívia) e do Sendero Luminoso (Peru).


No tocante à extrema-direita (uma mistura de políticos e clãs que gostam de falar em "Deus, pátria, família e propriedade"), o desinteresse no enfrentamento efetivo das drogas tem a ver com um misto de "teatro das tesouras" com a suprema esquerda e submissão aos interesses de Donald Trump, cada vez mais interessado em impulsionar o mercado de cannabis nos Estados Unidos e, assim, repelir quaisquer concorrências de outros entorpecentes altamente consumidos em solo estadunidense, porém não produzidos massivamente lá, casos da cocaína e do fentanil. A tabela 1 ajuda a entender um pouco da hipocrisia de Trump em combater o fentanil sino-mexicano e a cocaína sul-americana, ao mesmo tempo em que flexibiliza regras para a pesquisa, produção e comércio de cannabis em solo ianque.


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Tabela 1 - Alguns dos principais entorpecentes produzidos, comercializados e consumidos no mundo, seus efeitos e mercados (fonte: elaboração própria).


Considerando que os Estados Unidos não dispõem das condições adequadas para a produção dos insumos da cocaína sul-americana (a coca) e dos precursores químicos do fentanil que vêm da China (a papoula produzida na região fronteiriça entre Mianmar e o Dragão Asiático), fica evidente o interesse seletivo de Donald Trump em combater o tráfico de entorpecentes, na medida em que o fentanil chinês e a cocaína sul-americana tiram mercado e investimentos da cannabis de grupos empresariais americanos, alguns dos quais votam e põem dinheiro no Partido Republicano. Portanto, não se trata de combater crimes e problemas de saúde, ambos também intrínsecos ao consumo de maconha. Para Donald Trump, são só negócios, enquanto a extrema-direita brasileira lambe os pés de Trump e finge que está se contrapondo à suprema esquerda no Congresso Nacional e nas redes sociais.


Enquanto isso tudo acontece, o crime organizado está cada vez mais estruturado econômica e politicamente em nosso país, oprimindo milhões de brasileiros que vivem nos territórios conflagrados pelo crime, ao mesmo tempo em que espalha seus tentáculos pelos Poderes nas diversas esferas (municipal, estadual/distrital e federal). O recente noticiário fluminense acerca da prisão de dois deputados estaduais, sendo um deles o Presidente da ALERJ à época em que foi detido, só reforça a sensação de que o povo vem sendo feito de trouxa por agentes políticos cada vez mais afeitos à teatralização nos púlpitos, palanques e redes sociais. Ou a população brasileira sai do comodismo e muda esse estado de coisas pelo voto inteligente e pelas manifestações de rua, ou não tardará muito para o Brasil se tornar um narcoestado nos moldes da Venezuela (ceteris paribus, o Blog do Papa estima a concretização desse cenário em mais 5 anos), inundado pelas mortes, pelos crimes e pelo dinheiro sujo da cocaína, do fentanil e da cannabis.


Um forte abraço a todos e que Deus ainda tenha misericórdia desta nação!

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©2020 por Pedro Papastawridis em: Blog do Papa (blogdopapa.com).

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